Há passos em que não vêm Homens.
São fantasmas de passos.
Há ruas onde só se ouvem o deslizar de palavras cruas,
Erodidas pelas frias mãos dos dias baços.
Trôpegas são as pernas da solidão,
Entre o eco seco do corpo ao chão
E o chão do corpo húmido da bebedeira.
As folhas em branco censuram o domingo inerte
Na manhã dorida de segunda-feira.
Um jardineiro deambula numa cidade de betão.
O verde é pálido na fachada de edifícios.
Seu olhar desesperado procura na alma resquícios,
Quando tudo o resto são artifícios,
que cimentam o seu coração.
Há em cada mão de desalento
Uma cara metida num bolso
Para se esconder do movimento:
Cianeto de cores envenenadas,
Violetas incandescentes de paranóias escurecidas,
Clarabóias quebradas,
Expressões sangrando de cerradas feridas.
As luzes que se apaguem.
Assim pensar-se-á que mesmo antes de submergir,
Alguém ficou para trás para ler o epitáfio.
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