18/05/12

As paredes têm ouvidos



Oiço mais do que quero,
Menos do que desejo,
Nunca o que decido ouvir.
Quando não oiço desespero,
Por não saber se quero
Ou se espero decidir.

O branco da parede do meu quarto
É igual ao branco da parede do meu quarto.
E ainda assim diferente,
Quando na noite febril,
O sonâmbulo sente as tonalidades
De loucura branca em branco louco
E suores frios.
Deambulando à roda de si vê com espanto,
Que o quarto é pouco para tamanhos cios.

Quando a insónia amansa
E sossega o seu latejar;
Vejo o branco esmorecido
Em trémula dança,
No bater entorpecido da jugular.
                                                                              
E aí adormeço.
Não há mais branco.
Aí eu esqueço.
Aí o quarto deixa de me ouvir.
É quando sei, 
Entrevendo na existência sonhada,
Que decido pensar o que sinto
E ouvir o que o penso.
Mas quando acordo não lembro nada.