10/08/11

o vórtice das musas inalcançaveis





uma pedra enrugada, contando áridas eternidades,
mitos, tremores, poucas-nenhumas-duráveis verdades.


chuvas que esvaindo se esvaem.
ventos que assobiam, folhas que caem.

sombras que se escondem para se não ver.
bocas que, mentindo, se calam para não dizer.



veja-se para que se diga: a espera a quem a consiga.



Cantam equilibrados no vértice da espera,
Aqueles que seu  vórtice não encarcera.
Tentados à música das musas sereias,
Aliciante emoção agitando loucura nas veias.
Risos e tonturas, gritos, ritos e amarguras,
Incendiando a alma o prazer das curas.
No topo do absurdo o desejo surdo
Á razão que sob a tentação é não mais que clarão mudo.

06/08/11

poema a Safo


                          Safo, por Charles-August Mengin (1877)                                                                                 
                                                                          

O olhar vítreo,
a transição entre dois pólos de limites insondáveis:
O desejo e o abismo,
e a inevitabilidade de encontrar em cada um deles o outro.