25/08/10

a bela finda

Sinto uma estranheza entranhada
Nas estranhas entranhas que em mim habitam
O dia morre-se-me numa rua inacabada
E os últimos uivos de luz já me evitam.


Na bruma de um nada a expectativa de uma vontade me aguarda. 
Sinto-me esquecido.
Dói-me saber que algo de mim morreu, nas horas passadas de um dia inerte.
Irrita-me estar irritado. 
Mais um traço de vida inacabado. 
Tenho sede mas nada verte.



Só é a palavra que dormirá comigo esta noite. Mais uma, outras virão.
Menos mal enquanto tiver palavras que me acompanhem.
Quem as não tem para atravessar uma noite,
 e há falta delas estão sem ninguém, esperando quem não vem.
Nem só… nem só estão…pior ainda.
Dormirão uma última noite, em ardor, com a bela mulher do Fim:
a Finda





Foto por: MJ

(re)abertura

Após uma pausa, que não premeditada, a navalha reabre-se.
Contemplou a paisagem, amolou-se na mesma e volta afiada, inquieta.
Inquieta a quatro mãos.
Que é o seu cio se não inquietação?














Foto por: MJ