30/05/10

foda-se.

Assolado por uma estática estupidez. 
Inertes movimentos de um olhar vago.
Um sem-fim de tormentos, enfim, inexistentes.
E…o sabor amargo de saber tudo isto, permanecendo,
estático, na estupidez.

Ainda embriagado na desilusão das últimas horas do dia precedente. Perco o hoje. Perco um dia por um outro que foi ontem. Quem sou eu para desperdiçar dias quando os mesmos estão contados? Um mortal estúpido; estático em vagos movimentos de um olhar inerte.

25/05/10

premeditado cio

Há luzes que me perseguem, tal cigarro aceso - não puxo, não apaga.
Há vozes que se medem, não pelo grito mas pela calada.

Vejo um ponto vermelho no cimo de um vazio,
gesto trémulo da incerteza, olho distante, ora de surpresa,
ora de relance para a ponta acesa.
(não vá queimar-me e a dor interromper o transe.)

Espero que o ponto vermelho dance, juntando-se à voz calada.
No silêncio de uma virgem pela primeira vez tocada..
...e que suplicante contempla o entardecer perdido nas horas escuras,
ora escondido nas horas lentas do amanhecer tardio,
que traz consigo a ansiedade latente.
Um amanhecer que prende na espera o cio, revelando a culpa daquele,
que não sendo culpado, também não é inocente.

de navalha aberta

A navalha abriu-se. Desprendeu-se da força que a mantinha fechada. Está aí...pronta.
Agora é deixar o seu cio despoletar como um movimento cíclico.
A navalha abriu-se.