05/10/11

saciar

Na estrada de um corpo só
sufocam de desejo virgens encarnando celestiais gritos,
ecoando nas paredes o prazer das suas sedes
que não  mitigadas ecoaram em vão
pelos gotas que escorrem nas embaciadas janelas de um
quarto húmido pelo orvalho da fornicação.

Há a alucinação,
o trecho de encarnado vivo na pele
que unhas de uma mão rasgaram
entreabrindo a porta de uma penetração
no aperto que ao desapertar
e que ao copular, outra mão apertou o rosto
sentido no seu o outro eu do bafo trépido
pela  pulsação de amar.

E na segurança ingénua por debaixo de lençóis fétidos
de um expoente, solo a dois, crescente, magnifica implosão, no quase choro de dor da solidão.
Ó ruídos de nenhures quanto tempo foi passado no internamento da mente sob a escuta atenta do coração.
O sonho, o desespero da realidade que o acordar bombardeou, a implacável dúvida que o amanhecer iluminou: afinal quem será que sou?

Chovem passageiros de uma tresloucada vida. Chove a tinta dos arranha-céus desbotando. Chove o cinzento manchando a estrada negra. Chove a estrada negra atropelada pelo frenesim. Chove o rosto húmido pela chuva. Chove cada pedinte ao eco solitário da solitária esmola. Chovem as toneladas de pedra que o Homem encarcera na tempestade do seu sofrimento.

E a chuva é o choro em que cada um, ébrio, cabeceando nas suas portas inspira: eu aguento…

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