A cidade está cheia…de idiotas!
Foi este, apenas este e nenhum outro, o seu pensamento.
A verdade estava diante dos seus olhos. A cidade era a crua e insipida verdade de uma turba negra, disforme, impaciente, incapaz de olhar o céu ou mesmo descer o olhar à rua onde caminhava.
Idiotas salpicando lama, quando um passo mais apressado pisava forte, desapercebido o caminhante, numa poça e o único som que daí surgia, nem mesmo esse capaz de lhes voltar o olhar ao chão.
O mundo era aquela turba. Naquela fria noite tudo em redor, sob as pálidas luzes, lhe aparecia uma cortina de fumo espessa, contínua, composta por todo um paralelo movimento. Paralelo à vida, à sua.
Sentia-se miserável ao atravessá-la. Não porque lhe fazia parte mas porque caminhava por entre ela.
Seria o único caminhante fumando por desagrado a cortina espessa dos idiotas?
Seria o único?…
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