Por entre as muralhas de um homem
Se escondem Homens amuralhados
Momentos incertos na rua
De silhueta caiada, lisa, desejando ser sua
Confidente de olhares segredados.
Sinuosa se abre aos pés, conquistando
Por diante caminhando se faz vaidosa
De becos em ecos, de vozes a largos,
de praças a avessas portas
e trilhos vagos
onde se vai dando….a conhecer.
Tal sorriso de curiosa,
de amendoa a travessa, atraindo
Ora essa, por ela vão
Mais formosa a sedução
Ali desperta, ali cerrada, ali inquieta, ali celebrada.
Ai qual templo de deusa que antes de caça
Quis ser beijada
pelo humano, profano,
Desejo de carne e sóis postos ao entardecer.
Esmorecendo no desencontro,
Pondo assim um final ponto,
Até ver.
E logo a manhã desperta na insónia antes de ser manhã.
Em teus claustros, vai longa ainda a noite
Ai cidade que és açoite a perdição de corpos
Onde ecoam os gritos de paixões perdidas, outrora consentidas
Na tez branca de um sonho sofrido.
Na calçada marcada o que nunca esquecido.
Évora, cidade labiríntica contornando o prazer
Que te envolve.
Que te recobre, que te incendeia, que te revolve
E te devolve de volta ao teu centro donde partiu
A despedida anunciada.
Pudera… se possível nunca errada.
Mas entrámos por caminhos distintos
que nos trespassam como lobos famintos
e aí acorda o que talvez nunca poderá acordar.
Évora, adormece-me, entorpece-me
Deixa-me estar, assim, só assim,
Levitando na branca nuvem de horizonte
Ao comprido infinito de um Alentejo de fronte
Que não alcanço...
Porque a dor que punge, laço envolta com quem danço
É sossego de aragem, é trovoada de miragem.
Ilusão dos sentidos
Arpão de momentos esquecidos.
Mas sempre voltando, poderemos recordar,
O que não sendo verdade, tem toda a liberdade
Visão consagrada, ensejo da saudade,
Do que espera ficando, na ânsia a desejar.

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